O tempo do Advento

As quatro semanas que antecedem o Natal são para a Igreja uma ocasião de aprofundamento espiritual sobre a mística da nossa fé. É um tempo de esperança, de estar alerta em preparação para a vinda do Senhor. É mais ou menos como quando estamos nos preparando para ir a uma festa importante. Cuidamos da limpeza do corpo com um bom banho, vestimos roupas mais bonitas, ajeitamos o cabelo... Normalmente, as pessoas gostam de estar mais bem vestidas nas festividades mais importantes da vida, como no dia do casamento, em uma festa de formatura...

 

E, como para nossa fé o nascimento de Jesus foi um fato importante da história da salvação, é preciso estar bem espiritualmente para poder celebrar, com profundidade, o que significa esse acontecimento.


O tempo do Advento percorre os quatro domingos antes do Natal e vai até a véspera do dia 25 de dezembro. Nas duas primeiras semanas, a nossa reflexão será direcionada para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, que acreditamos, irá acontecer no final dos tempos.


Já, nas duas últimas semanas, que acontecem mais ou menos entre os dias 17 a 24 de dezembro, nossa atenção será mais para recordar a primeira vinda de Jesus entre nós, que se deu em Seu nascimento. Assim, nas quatro semanas o sentimento é de uma alegre expectativa espiritual.


Podemos dizer, em outras palavras, que o Advento recorda a dimensão histórica da salvação que deve ser lembrada no Natal. É a celebração de um fato real, que aconteceu no tempo. Mas, também existe um pensamento sobre a dimensão escatológica. E o que é isso? A escatologia é a parte da reflexão cristã que trata sobre as coisas relacionadas ao final dos tempos, o que está por vir, o destino final da história. O Advento, lembrando e meditando sobre o nascimento de Jesus acontecido no passado lança um olhar para o futuro, pensando na segunda vinda, a vinda gloriosa, de Jesus e em qual deve ser nossa atitude diante disso tudo.


As leituras que meditamos nesse tempo litúrgico falam da história da humanidade, do mistério da vinda do Senhor Jesus, que se encarna e se torna presença de salvação na história. O nascimento de Jesus é uma confirmação da promessa feita ao povo de Israel no tempo do Antigo Testamento.


No Advento, também, pensamos sobre a missão da Igreja. As figuras de João Batista e Maria são exemplos da vida missionária de cada cristão, que deve preparar, favorecer caminhos para que o Senhor possa chegar ao coração de mais pessoas. No fundo, toda a humanidade e a criação vivem em um clima de advento, de ansiosa espera da manifestação, cada vez mais visível do Reino de Deus.


Celebrar o Advento é, portanto, oportunidade de aprendizado sobre o mistério da salvação, tendo Jesus como referência e fundamento. A liturgia do Advento incentiva as pessoas a viverem os valores essenciais cristãos, como a alegria de uma espera vigilante, apoiada na conversão. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo, mas que só se realizará definitivamente na vinda gloriosa de Jesus. Por isso, o canto da Igreja nesse tempo é o “Maranatha”, o “Vem, Senhor Jesus!”


O Advento nos convida à conversão. É necessário “preparar o caminho do Senhor” em nossas vidas, lutando contra o pecado, através da oração e da reflexão sobre a Palavra. Precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza material, mas aquela de ser capaz de, confiantes, ter coragem de nos abandonar e depender de Deus e não dos bens terrenos. Uma pobreza que tem em Jesus sua única riqueza, única esperança, vivendo com verdadeira humildade e mansidão.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.