Agosto: Mês Vocacional - Reflexão sobre o tema

Adentrando no mês vocacional - mês este que é propício a intensificar as orações e as ações em favor das vocações - somos convidados a refletir sobre aquilo que sentimos chamados a servir. Certamente, tal reflexão deve ser feita com docilidade, e escuta atenta à voz Daquele que nos chama. Ele perscruta nossos corações, e nos convida a segui-Lo, gratuitamente, e a servi-Lo, sem reservas.

 

Bem, para que se compreenda perfeitamente o mistério de nossa vocação,  é indispensável compreender bem o mistério da Igreja, comunidade de convocados. Para tanto, nos deteremos a fazer distinção entre: Vocação Fundamental e Vocação Específica.

 

Vocação Fundamental: Entendemos por vocação fundamental o chamado de cada pessoa à vida, a ser Cristão, a ser Igreja. Pela revelação sabemos que todos os homens foram chamados por Deus à santidade (Gn 1,26; 2,7; 1Pe 1, 15-16). É um chamado a desenvolvermos plenamente todas as nossas potencialidades. Todas as vocações específicas derivam desta vocação fundamental.

 

Vocação Específica: Entendemos por vocação específica a maneira própria de como cada pessoa realiza a sua vocação fundamental, como leigo, sacerdote ou religioso.  As vocações específicas são três: laical, religiosa e sacerdotal.


Na Igreja-ekklesía, comunidade que é o Corpo de Cristo (cf. 1Cor 12,27), cada membro recebe do Espírito “dons diferentes” para realizar “diferentes serviços” em vista do “bem de todos” (1Cor 12,4-5.7). Por meio dos carismas recebidos, cada cristão põe-se à disposição dos demais irmãos e irmãs, assumindo,assim, sua vocação.


É Deus quem toma a iniciativa de chamar, mas cabe a pessoa humana apenas responder, com generosidade, a esse chamado. “Vós não me escolhestes a mim, eu vos escolhi a vós e vos destinei para irdes dar fruto; e para que vosso fruto permaneça” (Jo 15,16).

 

Por isso, mesmo, a vocação só se complementa quando a pessoa dá sua resposta, aceitando a proposta de Deus e abraçando, livremente, um serviço em favor da comunidade. Nessa perspectiva, a vocação se apresenta como “um apelo em que Deus oferece sua graça e procura suscitar uma resposta. Quem é chamado não perde sua liberdade, mas, de certo modo, com sua participação pessoal, configura a própria vocação, pela mediação de sua experiência de fé e de sua capacidade de discernir, junto com a comunidade eclesial, as formas concretas que deve assumir sua missão de serviço à Igreja e à história dos homens” (CNBB, Vida e mistério..., n. 221.).

 

A predominância do chamado divino fica evidente quando relacionada à missão. “O elemento central da vocação é a missão. Quando Deus chama alguém, chama-o para uma missão, para fazer alguma coisa em função de uma pessoa ou de uma comunidade. A missão é sempre um encargo. Ninguém escolhe uma missão, sempre a recebe de Deus. ‘Não é a pessoa que está em evidencia. Tanto menos suas aspirações ou projetos’. O centro mesmo é a missão, a tarefa que Deus escolheu. É isso que determina a ‘vocação’.” (OLIVEIRA, José Lisboa Moreira de. Teologia da vocação, p. 24).


Portanto, abramos nosso coração para que Deus suscite em nós um ardor missionário, e, assim, acolhendo, com docilidade, o chamamento divino possamos nos colocar à disposição, frente às necessidades de nossa Igreja. E jamais nos esqueçamos da oração, pois, como ressalta o papa Francisco: “as vocações nascem na oração e da oração; e somente na oração podem perseverar e dar fruto”.

 

Por isso, invoquemos, com confiança e insistência, a ajuda da Virgem Maria, para que, seguindo o seu exemplo de acolhimento do plano divino da salvação e com a sua eficaz intercessão, se possa difundir, no âmbito de cada comunidade, a disponibilidade para dizer “sim” ao Senhor, que não cessa de chamar novos trabalhadores para a sua vinha.
 

 

Seminarista Carlos Augusto dos Santos Balsamão | 2° ano de teologia



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BALSAMÃO, Carlos Augusto dos Santos. Vocação: terreno certo para o plantio fértil. 2014.
CNBB, Vida e mistério..., n. 221.
(cf. 1Cor 12,27).
(Gn 1,26; 2,7; 1Pe 1, 15-16).
(Jo 15,16).

OLIVEIRA, José Lisboa Moreira de. Teologia da vocação, p. 24.

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